Inovar nem sempre é escrever código ou criar um algoritmo sofisticado. Às vezes é observar uma dor comum — a bateria que acaba no meio do dia — e transformar essa fricção em serviço, mídia e impacto social. Este texto conta a trajetória por trás de uma solução simples e poderosa: powerbanks compartilhados gratuitos, suportados por um modelo de mídia out of home inteligente e alinhado com ESG. É uma conversa sobre transição de carreira, validação de mercado, aprendizado com MVPs e como posicionar uma solução disruptiva para o setor público e privado.
🔌 Trajetória: do comercial em TI para fundador com olhar de infraestrutura
Trabalhar com tecnologia nem sempre significa programar. Existe uma carreira inteira voltada para vendas, projetos corporativos e atendimento a grandes clientes que vai formando um olhar prático sobre problemas reais. A transição do mundo CLT — com passagens por distribuidores, HP e Algar Telecom — para o universo startup começou com um movimento de mindset.
Houveram meses de ideação, conversas com o ecossistema local e recolocação das habilidades comerciais para uma nova lógica: pensar produto, validar hipóteses e aceitar que a jornada exige reinvenção diária. A pandemia foi um catalisador: muitas portas se fecharam, outras se abriram, e aquela vontade de ser "o próprio chefe" — com vontade de empreender — virou ação.
Esse caminho não eliminou a experiência anterior. Pelo contrário: levou ao uso de know-how técnico e comercial para articular parcerias, entender logística e estruturar uma proposta que conectasse usuários, anunciantes e estabelecimentos.

💡 Inovação como rotina: "inovar é uma constância"
Inovação é muito mais do que uma palavra bonita em pitch decks. É uma prática diária. Uma solução que resolve um problema hoje pode precisar ser reinventada amanhã — especialmente com mudanças tecnológicas como a inteligência artificial. Mais importante que isso: inovação precisa fazer bem às pessoas e, quando possível, ao meio ambiente.
"A inovação para mim é constante. A gente inovou agora, amanhã a gente já tem que reinovar, reinventar."
Essa visão explica por que projetos aparentemente desconectados — como monitorar o pH de um tanque de tilápia com sensores — fazem parte do mesmo repertório que um serviço de powerbanks compartilhados. A habilidade de transformar necessidade em solução foi o motor para a criação da Freedooh.

🔁 Do idear ao fazer: como nasceu a Fridu
A Fridu nasceu das conversas com parceiros que trouxeram para o Brasil um modelo já existente em Singapura. Havia hardware importado, validação técnica e vontade de testar em território nacional. Depois de um primeiro MVP em São Paulo — com 60 mil locações coletadas — veio o passo natural: entender como esse produto se comportaria em diferentes ambientes.
O MVP revelou respostas que nenhum plano de negócios poderia prever: dúvidas sobre devolução, logística entre cidades, operação em espaços públicos e a necessidade de modelos comerciais variados. Esses aprendizados redefiniram o foco da Freedooh.

📊 MVP na prática: o que aprendemos com 60 mil locações
Fazer 60 mil locações não é apenas um número bonito. É informação preciosa sobre comportamento do usuário e sobre as dores operacionais:
- Logística de devolução: usuários perguntavam onde devolver o powerbank quando pegavam em um aeroporto e estavam em outra cidade.
- Educação do usuário: a adesão a um processo simples de registro e devolução depende de clareza na comunicação e de incentivos.
- Robustez do equipamento: desgaste, durabilidade da bateria e manutenção aparecem cedo em qualquer operação física.
- Necessidade de múltiplos modelos comerciais: B2C puro mostrou limitações; era preciso explorar B2B, parcerias com estabelecimentos e iniciativas públicas.
Essas lições ajudaram a transformar a Freedooh em algo mais do que um serviço de aluguel: uma plataforma de mídia out of home com um propósito social e ambiental.

🌏 Modelo de negócio: gratuito para o usuário, financiado pela mídia
O pilar da Freedooh é simples e poderoso: o usuário não paga. O serviço é gratuito e essa gratuidade é sustentável graças à venda de espaço publicitário.
A proposta conecta três atores:
- População — recebe acesso gratuito à energia móvel.
- Estabelecimento — oferece o ponto de retirada/devolução (por exemplo, farmácias, hotéis, terminais) e ganha fluxo.
- Anunciante — paga pela mídia e se comunica diretamente com o usuário por meio de conteúdos dinâmicos.
O formato torna a operação um triple win: usuário atendido, anunciante com exposição relevante e estabelecimento com mais movimento.
Como a mídia funciona
Cada powerbank tem um QR code dinâmico que direciona o usuário a um conteúdo do anunciante. Os dados do MVP mostram que cerca de 90% dos usuários que pegam o dispositivo escaneiam o QR code — um engajamento excepcional para mídia out of home.
🏛️ GovTech, turismo e eventos: por que o setor público importa
Em alguns países, como China, esses modelos se espalham com apoio governamental. No Brasil, a cultura e as políticas públicas ainda estão em formação para esse tipo de aparato. A Freedooh viu nessa lacuna uma oportunidade: posicionar o serviço não apenas como conveniência, mas como ferramenta de políticas públicas de turismo, mobilidade e inclusão digital.
A entrada do ESG no discurso institucional ajudou a abrir portas. Prefeituras e órgãos de turismo podem enxergar valor em equipamentos que:
- reduzem o lixo eletrônico ao evitar compras emergenciais de baterias descartáveis;
- garantem atendimento gratuito à população;
- atraem turistas e melhoram a experiência em eventos.
Por isso existe um movimento de transformar o posicionamento de B2C para GovTech e parcerias públicas que ampliem a cobertura em terminais, pontos turísticos e eventos de grande porte.

♻️ ESG em ação: impacto social e ambiental
ESG não é só um selo. No caso de uma operação de powerbanks compartilhados, ele se traduz em ações concretas:
- Social: acesso gratuito à energia para cidadãos que dependem do celular para serviços essenciais.
- Governança: atenção à LGPD, DPO e processos de ouvidoria mesmo em startup enxuta.
- Ambiental: redução de descarte de baterias e incentivo ao uso compartilhado em vez da compra de soluções descartáveis.
A combinação de mídia com propósito facilita a venda para setores que têm metas ESG e que buscam narrativas de impacto alinhadas à operação.

📺 Out of home reinventado: integração com mídia digital
A Freedooh não vende só energia. Vende audiência qualificada, em momentos relevantes, dentro de ambientes fechados como aeroportos, metrôs, universidades, hotéis e restaurantes. Esse espaço é conhecido como out of home — mídia fora de casa — e está crescendo em relevância: métricas apontam expansão e integração com TV conectada e soluções digitais.
O conceito explora a interseção entre alcance físico e personalização digital. No caso dos powerbanks, a dinâmica é a seguinte:
- O usuário retira o powerbank e, ao escanear o QR code, consome conteúdo do anunciante.
- O conteúdo é dinâmico, direcionável e mensurável.
- As métricas coletadas tornam a mídia mais atrativa para CMOs e times de mídia programática.
Isso posiciona a Freedooh como publisher: quem operacionaliza pontos físicos com inventário de audiência no mundo real. Vender esse inventário exige conversar com times de marketing, sustentabilidade e financeiro das empresas anunciantes.

🏬 Onde a solução faz sentido: ambientes com alto fluxo e necessidade de permanência
A escolha de pontos para instalar as unidades é estratégica. Locais de alto impacto incluem:
- Terminais de ônibus e estações de transporte.
- Aeroportos e metrôs.
- Pontos turísticos, feiras e eventos sazonais.
- Universidades, escolas e centros culturais.
- Farmácias, redes de varejo, hotéis, bares e restaurantes.
Em cada cenário, o retorno para o anunciante e para o estabelecimento deve ser claro: aumento de fluxo, dados de engajamento e exposição em ambiente com audiência qualificada.

⚙️ Operação, governança e privacidade: cuidado antes de escalar
Escalar um produto físico exige governança e processos. Alguns pontos que merecem atenção desde o início:
- LGPD e GDPR: os QR codes dinâmicos precisam respeitar privacidade; ter DPO e canais de ouvidoria ajuda a dar credibilidade.
- Manutenção e reposição: logística para manter baterias carregadas, verificar status e recolher equipamentosespeciais.
- Monitoramento e telemetria: dados de uso em tempo real ajudam a entender rotinas, otimizar distribuição e atender anunciantes com relatórios.
- Firmware e segurança: garantir que o hardware não se torne vetor de risco para usuários ou para redes locais.
Simples na superfície, a operação exige um arcabouço que combine tecnologia embarcada com processos humanos bem definidos.
📈 Do B2C ao B2G: pivôs que são crescimento estratégico
A ideia inicial de cobrar do usuário por tempo de uso revelou limitações no mercado brasileiro. O verdadeiro caminho passou por reposicionar a oferta:
- Da venda direta ao usuário para um modelo onde anunciantes bancam o serviço.
- Da lógica de consumo individual para parcerias com estabelecimentos e órgãos públicos.
- Da operação local para uma estratégia de verticalização por segmento — saúde, eventos e turismo.
Esse tipo de ajuste é comum em startups que aprendem com o mercado e testam hipóteses com MVPs reais. A decisão de mirar verticalmente permite customizar produto, comunicação e operação para atender necessidades específicas, por exemplo, de uma UBS (Unidade Básica de Saúde) ou de um festival de praia.
🔍 Como vender mídia que "ainda não existe" — aprendizados comerciais
Vender algo novo dá trabalho. Não se trata apenas de mostrar um inventário físico; trata-se de traduzir valor para diferentes públicos dentro da mesma empresa:
- CMO quer alcance e criatividade.
- CFO quer números e previsibilidade.
- Quem cuida de sustentabilidade quer causa e métricas de impacto.
A Fridu precisou agir como publisher — não agência — e oferecer pacotes com métricas claras, segmentação contextual e garantias de compliance. Esse é um movimento que aproxima mídia física de práticas digitais de medição e atribuição.
🧭 Verticais de foco: saúde, eventos e turismo
Depois dos aprendizados iniciais, a estratégia foi identificar verticalidades com tração natural para a solução:
- Saúde: UBS, laboratórios e campanhas de comunicação em saúde pública. O uso gratuito é um argumento forte quando a população precisa acessar informações e serviços.
- Eventos: festivais, arenas e feiras são ambientes com grande densidade de público temporário — onde o powerbank pode ser aliado à experiência do visitante.
- Turismo: pontos turísticos e terminais de transporte amplificam o uso e justificam investimentos públicos e privados.
Cada vertical exige adaptação da operação: logística para eventos sazonais, parcerias com secretarias de turismo, e integrações com campanhas de saúde pública.

🛠️ Parcerias locais: o papel do ecossistema de Curitiba
Ecossistemas locais importam. Ter conexões com aceleradoras, agências de desenvolvimento e programas de Smart City foi decisivo. O apoio de iniciativas como o Vale do Pinhão, EcoHub e institutos municipais acelerou validação e abriu portas para pilotos.
Esses parceiros ajudam com:
- Acesso a pontos de instalação.
- Credenciamento institucional para licitações e editais.
- Mentoria e pré-aceleração que reduzem riscos operacionais.
📢 Métricas que importam para contar a história
Ao vender a solução para anunciantes e governos, algumas métricas se tornaram essenciais:
- Taxa de leitura do QR code — no MVP, 90% dos usuários scanearam o código.
- Número de locações — volume de uso confirma relevância do ponto.
- Perfil demográfico — quem usa em quais horários e locais.
- Retorno por anunciante — cliques, conversões e visitas geradas.
Essas métricas transformam a conversa com um CMO de abstract para concreto — e é isso que diferencia mídia experimental de mídia comprável.
📚 Leitura, aprendizado e dica para quem empreende
Empreender em inovação exige atualização constante. Além de experiências práticas, recomenda-se estudar:
- ESG e sustentabilidade — entender como traduzir impacto em métricas e relatórios.
- Mídia out of home e digital — como mensurar e conectar audiência física ao mundo digital.
- Privacidade e governança — LGPD e normas internacionais, como GDPR, tornam-se diferenciais competitivos.
Um conselho prático: converse com quem já fez o trajeto, participe do ecossistema local e esteja pronto para pivotar. Ler e ouvir especialistas em mídia e tecnologia ajuda a evitar erros comuns e a construir escalabilidade de forma sustentável.
🧭 Próximos passos e escalabilidade: o que vem pela frente
A escalada envolve:
- Focar nas verticalidades com maior aderência (saúde, eventos, turismo).
- Ampliar parcerias com prefeituras e órgãos de turismo.
- Consolidar a governança de dados e certificações para internacionalização.
- Desenvolver pacotes de mídia escaláveis para anunciantes nacionais e regionais.
O caminho não é linear, mas com produto testado, dados relevantes em mãos e uma narrativa de impacto, a escala se torna uma consequência natural.
📞 Como acessar a solução hoje
Para quem busca conhecer mais, a solução tem presença digital consolidada e canais para contato direto. A operação contou com apoio de pré-aceleração e parcerias locais que facilitaram o começo — e esses relacionamentos continuam sendo fundamentais para novos pilotos.
Em resumo, a Freedooh é:
- Um serviço de powerbanks compartilhados gratuito para a população.
- Financiado via venda de mídia out of home inteligente.
- Posicionado tanto para o mercado privado quanto para parcerias com governo.
- Construído com atenção a LGPD, ESG e governança.

✍️ Conclusão: criar produto físico é aprender rápido e ajudar mais
Criar uma startup que lida com hardware, pontos físicos e comportamento humano é um exercício intenso de escuta. Cada rua, cada terminal e cada evento ensina algo novo. Ao combinar um serviço que resolve uma dor real com um modelo de monetização que privilegia acessibilidade e impacto, cria-se não só um negócio viável, mas uma proposta que faz sentido para a cidade e para as pessoas.
Inovação exigirá reinvenção constante, mas quando essa reinvenção tem propósito — conectar pessoas, reduzir desperdício e gerar valor mensurável para anunciantes e governos — o caminho fica mais claro. Se você está começando a idear algo, pense no tripé: usuário atendido, parceiro beneficiado e receita clara. Esse é o mínimo viável para escalar com propósito.
Obrigado pela leitura. Faça como a freedooh: experimente, teste hipóteses, peça feedback e não tenha medo de ajustar a rota.
Assista os detalhes no nosso Podcast Quebrando a Cuca:






